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Jorge de Sena

Muitos consideram-no um grande nome da literatura portuguesa e uma figura incontornável do século XX nacional, mas muitos nunca ouviram falar nele, ou não vêm qualquer justificação para o mencionar. Mais de trinta anos depois da sua morte (em Junho de 1978), Jorge de Sena continua a ser uma persona controversa no panorama português.

Jorge de Sena

Professor universitário, dramaturgo, contista mas, acima de tudo, poeta, Sena encontrou no estrangeiro a liberdade que a ditadura salazarista não lhe concedia em território lusitano. Sem papas na língua e, segundo os que com ele conviveram frequentemente referem, intolerável á mediocridade, Jorge de Sena partiu para o Brasil em 1959 em busca de uma consideração e de um respeito que os eruditos portugueses não lhe atribuíam. Em “terras de Vera Cruz”, embora de início tenha conseguido alcançar parte do seu objectivo, viu-se obrigado a procurar novo refúgio, longe de uma outra ditadura que lá grassava. Foi na Califórnia, nos Estados Unidos, que acabou por assentar, com a sua esposa Mécia e os seus nove filhos. Docente na Universidade de Santa Bárbara, onde leccionava a sua amada literatura em língua portuguesa, conseguiu, enfim, algum tempo para produzir os seus textos. Prolífico, deixou imensas páginas de crítica literária, traduções, contos, diários, ensaios, romances, correspondência e, claro, poesia.
Num paralelismo imenso com outros dois enormes vultos da poesia portuguesa, Jorge de Sena debruçou-se no estudo e na criação poética em torno de Camões e Pessoa. Inspirações, almas gémeas, antepassados, Sena procurou recriar esses mundos líricos, mas sempre sem abdicar da sua verdade.
De legado ficam Sinais de Fogo (romance publicado postumamente), O Físico Prodigioso (novela, 1977), Andanças do Demónio (colectânea de contos, 1960), O Indesejado (teatro, 1951), Uma Canção de Camões (ensaio, 1966) e Metamorfoses (poesia, 1963) e tantos outros.
Fica a sua missão, nas suas próprias palavras: “um desejo de exprimir o que entendo ser a dignidade humana: uma fidelidade integral á responsabilidade de estarmos no mundo, mesmo quando tudo nos queira demonstrar que estamos a mais… ou a menos.”

in RTP, “GRANDES LIVROS”

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